Segurança
Força de Impacto
- Algumas verdades básicas, matemática simples e
senso comum
Legal, você está escalando sua
corda e seu baudrier são seguros, a ancoragem é à prova de
bomba e
você se sente seguro. A idéia de uma queda não te preocupa. Tudo está
perfeito.
Talvez. Mas toda queda cria uma
enorme
quantidade de energia. Nós somos criaturas relativamente grandes e a
gravidade
é uma força formidável - qualquer pessoa que já tenha segurado uma
queda
pode confirmar.
E mais. A força de impacto de
uma queda é transmitida através de todo seu sistema de segurança e é
aproximadamente dobrada no ponto de ancoragem. Assim, todos os
elementos
envolvidos no sistema devem sustentar o impacto sem falhar se a sua
queda for
lhe causar nada mais que arranhões e hematomas.
- O fator de queda
Muitos escaladores não entendem
realmente o conceito de fator de queda, apesar de ser bastante simples.
O fator de queda é simplesmente
a distância da queda dividida pelo comprimento da corda do desde o
ponto fixo
até o escalador que cai.
Fator
de Queda = Q
Q =
Altura da queda livre / comprimento da corda utilizada

O fator de queda 2 é o máximo
que você deveria encontrar numa típica queda, haja visto que o
comprimento de
uma queda não pode exceder 2 vezes o comprimento de corda utiliizado.
Normalmente um fator de queda 2 pode ocorrer apenas quando o líder da
cordada
não se utiliza de pontos de proteção e, ao cair, passa do ponto onde
está
recebendo segurança. A partir do momento que uma proteção é feita, a
distância da queda, em função do comprimento da corda, é reduzida e o
fator
de queda cai abaixo de 2.
- Sua vida depende da elasticidade da corda
O fator de queda é um dos
elementos que governam a força de impacto. Os outros dois são a
natureza da
corda e o peso do objeto que cai. No caso, você.
Obviamente, a única parte desta
equação que pode reduzir a força de impacto de qualquer queda é a
elasticidade das cordas dinâmicas. Desta forma os sistemas de segurança
para
escaladas são desenhados ao redor da qualidade de absorção de impacto
das
cordas dinâmicas. Isso amortece a queda, reduzindo a força de impacto e
a
chance de falha do sistema. As corda dinâmica é desenhada para limitar
a
força do peso de um escalador (80kg) no pior caso de queda (fator de
queda 2)
para não mais que 12kN (1200kg). Assim, o resto do equipamento pode ser
desenhado para trabalhar com essa força máxima conhecida.
Obviamente, quanto mais corda
utilizada, mais elasticidade para absorver a queda. Isto explica porque
uma
queda de 4 metros em fator 2 desenvolve aproximadamente a mesma força
de
impacto - 9kN (900kg) - que em uma queda de 20 metros, presumindo que
uma corda
dinâmica obedeça os padrões da U.I.A.A. . Assim, o aumento da queda (e
da
força de impacto desenvolvida com ela) é compensado pelo comprimento de
corda
disponível que a amortecerá.
- Você não tira elasticidade de uma corda
estática
Cordas estáticas -
Tradicionalmente mais usadas em espeleologia e resgates e agora também
em
rapéis esportivos e mesmo em academias de escalada, são desenhadas
minimizar a
elasticidade (espeleologistas odeiam se sentir como iô-iôs). Então, sua
capacidade de absorver impacto é insignificante, particularmente ao
longo de
pequenos comprimentos de corda.
E mais. As cordas estáticas não
são bem definidas pelos códigos da indústria, como as cordas dinâmicas
são.
Assim, elas variam em elasticidade de acordo com o fabricante e o país
de
origem. Elas são, geralmente, tão estáticas quanto um cabo e transmitem
virtualmente toda a força de impacto ao sistema de segurança e ao corpo
do
escalador. E, em uma escalada, uma queda extremamente pequena pode
desenvolver
força suficiente para ser crítica.
- Fitas e cordeletes são como cordas estáticas
Usados para segurança, sem uma
corda dinâmica, cordeletes são tão perigosos como cordas estáticas. Uma
queda em fator 2 desenvolve força de impacto suficiente para haver
risco de
falha do cordelete, baudrier e mosquetões, sem mencionar os
grandes
danos ao esqueleto do escalador.
Por exemplo, uma pequena queda de
1,2 metros num cordelete ou numa corda estática, desenvolve 18kN
(1800kg), mais
do que suficiente para quebrar o baudrier e/ou o escalador.
Tendo em mente que o corpo humano
só pode suportar, por um curto instante, a força de impacto de 12kN
(1200kg)
sem sérios riscos de dano, você não vai desejar absorver em torno de
18kN. E
você deveria saber que 18kN está muito próximo ou acima do limites
mínimos
prescritos pela U.I.A.A. em todo o equipamento no seu sistema de
segurança.
Aqui eles estão para o propósito de comparação:
- Entretanto, até o mosquetão...
A física não é nossa amiga em
uma queda. A mesma vantagem mecânica que usamos em roldanas, trabalha
contra
nós quando estamos no final de uma corda. Porque no ponto onde a corda
retorna,
normalmente em um mosquetão, a força da queda é aumentada em
aproximadamente
66% (seria dobrada se não fosse o atrito da corda com o metal).
Então, começando com a nossa
máxima força de impacto de 9kN (900kg) com uma corda dinâmica, a força
no
mosquetão torna-se 15kN (1500kg) em uma queda de fator 1,9. Isso é
muito. É
melhor que você deseje que se trate de uma boa ancoragem.
Agora aplique a mesma matemática
para uma corda estática. O fator de queda 1,9 com sua força de impacto
normal
de 18kN (1800kg), torna-se uma força de impacto de 30kN (3000kg -
multiplica-se
18kN por 1,66). Neste caso você não ficaria para ‘contar estória’. E
não
importaria se a ancoragem agüentasse porque alguma outra coisa iria,
sem
dúvida, falhar.
- O cabo mortal ou a situação da ‘Via Ferrata
’
A ‘Via Ferrata ’ está
se tornando cada vez mais popular na Europa. É uma escada metálica com
um cabo
lateral. Isto encouraja turistas a escalar. Você se prende com uma fita
ao cabo
ou com o rabo de uma vaca (daria no mesmo).
O problema disto ou qualquer
cabo, vertical ou oblíquo, é que a queda pode desenvolver uma força de
impacto bem acima do fator 2. Se escorregar você irá cair até a próxima
ancoragem e, se você não estiver próximo a ela, a força será enorme. E
acima do fator 2, nada é garantido. Nem os mosquetões, nem o baudrier,
nem as fitas e nem mesmo uma corda dinâmica.
A resposta para a ‘Via
Ferrata ’ é: um dispositivo para absorção de impacto desenhado para
forças acima de fator de queda 2. E a lição é: não confie em um
mosquetão
correndo por um cabo. Isso pode parecer seguro; mas não é.
Bem, esta foi nossa pequena história
de hoje. Como é dito em nossas camisas, "a lei da gravidade é cumprida
rigorosamente" e, quando você toma o lado errado desta lei, a punição é
negociada em força de impacto.
Escale seguro
PETZL
Obs.: A "Via Ferrata "
é equivalente ao "Paredão Cepi " no Pão de Açúcar.
Traduzido e adaptado da revista Rock
+ Ice - nº 66 TEL 1-800-282-7673
por Luciano Bender da Silva
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