A
prática mal
assessorada
Percebe-se que nos últimos tempos o número
de
praticantes de atividades "outdoor" se multiplicou de forma
assustadora. Comentários a respeito no clube, com os companheiros do
CEP, são
frequentes e todos concordam com a multiplicação inacreditável de
escaladores
desconhecidos e com a incapacidade técnica de alguns. Com essa
deficiência
técnica aguda tivemos inclusive alguns acidentes. Como exemplo, podemos
citar
um caso observado por um guia do CEP de um indivíduo desconhecido que
deixou
seu oito cair e rapelou uma escalada de quase noventa graus no braço,
se
entitulando "safo", e por sorte não se tornou uma tragédia;
acidentes no cabo-de-aço CEPI, no Pão-de-Açúcar; e vários acidentes
(inclusive fatais) noticiados vorazmente pela mídia.
Seria interessante começar a
documentar estes acidentes
para fazermos estatísticas do número de praticantes em relação ao
número de
acidentes e compararmos com outros esportes.
Além disto, observamos a baixa
qualidade técnica das
revistas nacionais. Os editores se preocupam muito com o que vende mais
e na
maioria das vezes estão deixando a confiabilidade das revistas de lado.
É inaceitável que revistas "do ramo"
publiquem
erros tão gritantes como: dicas de como usar a bússola passando
informações
de mapas para a realidade sem mencionar declinação magnética; mapinhas
estilizados onde a Agulha do Diabo é comparada a um morrote; o Rio
Paquequer
corre ao lado da trilha do Sino; fotos do Pico da Glória referenciando
a subida
do Sino; indicação do Morro do Cubaio entre o Vale das Antas e o
Dinossauro; a
distância lendária da travessia de 42km; um mapa onde o Sino aparece
entre o
Açu e Correas e, como se não bastasse, fotos do Nariz da Freira dizendo
ser o
Dedo de Deus! É o cúmulo da ignorância no montanhismo nacional. E para
nosso
azar estes mesmos editores estão produzindo as revistas que mais
circulam entre
os leigos do montanhismo.
Estes "leigos do montanhismo" são as
pessoas
que gostam de uma caminhadinha ou outra e vez por outra resolvem se
lançar num
desfio maior como a Travessia Petrópolis-Teresópolis. O grande problema
é que
eles utilizam muitas vezes as informações que constam nestas revistas
para sua
orientação, por ignorância, por acharem que as revistas pela força que
têm
sobre os leitores têm um mínimo de responsabilidade com os mesmos.
Infelizmente estes "leigos do
montanhismo"
estão enganados ou muitas vezes percebem que estão sendo enganados mas
preferem estes meios do que outros talvez mais complexos para se chegar
às
informações. A maioria das revistas nacionais não têm um mínimo de
compromisso com seus leitores e publicam indiscriminadamente
informações
falsas.
Existem duas alternativas para estas
revistas se
aprimorarem: ou elas deixam de lado as informações técnicas ou elas
contratam
pessoas que realmente saibam o que estão escrevendo e que tenham
credibilidade
entre os montanhistas e não apenas entre os praticantes "outdoor".
De certo existem muitas fontes
confiáveis de
informações, como os clubes de montanha. Os clubes exigem de seus guias
relatórios das excursões de forma que se forme um banco de referências
bastante confiável, com descrições de pessoas que estiveram
recentemente nos
locais das excursões.
Vejam as fotos, leiam as descrições
das excursões,
entretanto, não aproveitem nada a respeito de informações técnicas,
mapas e
roteiros das revistas nacionais pois após várias observações me parece
óbvia a questão.
por Lourenço
Lustosa Fróes .
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