ATC x Reverso
Por Waldyr Neto
Os freios tipo “tubo”, normalmente chamados ATC
(marca
da americana Black Diamond), já estão hoje consagrados no meio do
montanhismo.
Leves e confiáveis, dissipam bem o calor e não torcem a corda durante o
rapel.
Com essas características, os ATCs literalmente mandaram para o museu
os
tradicionais freios oito.
Recentemente
a fabricante francesa Petzl lançou um freio chamado Reverso (ver
figura), que
curiosamente ainda é pouco visto entre os escaladores no Brasil. O
Reverso nada
mais é do que um freio tubo, e pode ser usado como um freio tubo tanto
para dar
segurança quanto para rapelar. A grande sacada está nas características
incorporadas ao Reverso, que fazem dele uma ótima opção para o
escalador de nível
médio ou avançado.
Em comum o ATC e o Reverso têm as funções de freio
dinâmico
(absorvem o impacto de uma queda deixando correr um pouquinho a corda),
tanto
para segurança do guia quanto para segurança do participante. Ambos são
também
eficientes freios de descida. E o Reverso e alguns modelos de ATC são
assimétricos,
permitindo escolher uma opção de freio com mais ou menos atrito.
Mas o Reverso oferece também outras características
que não
são possíveis com o ATC, que são:
- Freio auto-blocante para
segurança do
participante. Desta forma o guia pode optar por dar segurança como
se estivesse usando um ATC ou na forma auto-blocante, que é mais
confortável e menos cansativa. Muito útil no caso de um resgate ou até
para tirar fotos. A forma auto-blocante pode ser usada para se dar
segurança de cima para dois escaladores em simultâneo, sendo que a
queda de um deles não impede a progressão do outro.
- Ascensor. Longe de ser a
vocação
do Reverso, é uma característica adicional e funciona bem para subidas
com pouca inclinação.
Desvantagens do Reverso:
- Preço. O Reverso custa cerca
de
50% a mais que um ATC convencional.
- Peso e dimensões. A
diferença é
bem pequena, sendo totalmente justificada pelos benefícios.
- Dificuldade de uso. Não é
difícil
usar o Reverso. A questão aqui é saber quando se deve usar ou não a
função auto-blocante, pois se o guia precisar descer o participante a
coisa pode se complicar. Numa via positiva é fácil inclinar um
pouquinho o Reverso e destravar o blocante. Mas numa via negativa com
um participante pesado pode ser um verdadeiro martírio desce-lo de
“baldinho”. Nessa situação o guia deve optar pela posição convencional,
usando o Reverso como um ATC. No site da Petzl existem instruções
detalhadas para a operação de destravar o blocante em qualquer
situação, mas a operação não é exatamente simples. Daí a não
recomendação de uso do Reverso por escaladores iniciantes.
Comparando rapidamente o Reverso com o desejado
freio
Gri-Gri, as vantagens são muitas em favor do Reverso. O Gri-Gri é um
freio estático
(não deixa a corda correr um pouquinho numa queda), o que pode ser
perigoso
para dar segurança ao guia em escaladas com quedas potenciais maiores.
Além
disso, quem usa Gri-Gri acaba tendo que usar um aparelho para rapel. O
Gri-Gri não
trabalha com cordas mais finas e não possibilita escalada em
simultâneo. Isso
sem contar que o Gri-Gri é mais pesado e muito, mas muito mais caro.
Assim, a
grande sacada do Reverso é incorporar num único dispositivo leve e de
preço
relativamente acessível uma ampla gama de funções que ele realiza
relativamente bem. É só saber usar a função certa na hora certa.
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